1. O que influência a minha carreira?
A carreira não se desenvolve no vazio. Os alunos devem tomar consciência da influência das
dimensões contextuais e individuais no desenvolvimento da carreira. Neste sentido, devem ser
Construção do Projecto de Vida
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Módulo 4:
Construção do Projecto de Vida convidados a explorar aspectos de
estruturação dos seus interesses, no desenvolvimento das suas competências e na organização das
suas expectativas e aspirações. O papel da família e dos amigos, pelas experiências que
proporcionam e pelos valores que partilham, também deve ser considerado. As oportunidades de
emprego e formação surgem, também, como um tópico de grande relevância, na medida em que os
alunos se servem desta faceta da dimensão contextual para identificar barreiras e oportunidades à
implementação dos seus projectos de vida.
si próprios e do espaço de vida que possam ter tido influência na 2. O que aprendi?
Salientar a importância das experiências de aprendizagem em função do modo como encaramos a
carreira e as tarefas de desenvolvimento que lhe estão associadas. Estimular a estruturação e o
desenvolvimento de crenças positivas e negativas acerca do que o aluno julga ser, ou não, capaz de
aprender, ou seja, quais os impactos do processo de formação no funcionamento motivacional e no
comportamento vocacional do aluno, nomeadamente ao nível do sentimento de auto-eficácia, das
expectativas de resultados e, consequentemente, ao nível da formulação de projectos de vida. Há
aqui lugar, ainda, para a identificação dos estilos de aprendizagem, procedimento essencial para que
se adoptem as respostas adequadas às dificuldades que possam surgir neste domínio. Por fim, mas
não menos importante, devem salvaguardar-se momentos em que os alunos fazem sínteses das
principais competências desenvolvidas ao longo do curso e têm oportunidade de as expressar.
3. Quem sou?
O desenvolvimento do auto – conhecimento surge como um processo essencial na avaliação de
experiências tidas, nomeadamente, a formativa e na formulação dos projectos vocacionais e de vida.
Devem ser trabalhadas aquelas dimensões consideradas relevantes na estruturação do
conhecimento de si próprio. Para tal, é importante que os alunos sejam convidados a relacionar as
suas competências, interesses, valores e aspirações em relação ao futuro que estão a antecipar e a
construir.
4. O que quero ser / fazer?
Situar o aluno perante a necessidade de desenvolver atitudes e competências favoráveis à
implementação do seu projecto de vida, nomeadamente, na assunção e integração dos diferentes
papéis exigidos nos diferentes espaços de vida.
A importância da agência individual na elaboração dos projectos de carreira; a qualidade dos
projectos em função das modalidades de tomada de decisão (planeada
importância das metas realistas, e dos passos necessários à concretização das mesmas, como
garante do sucesso na implementação da alternativa considerada formativa ou de trabalho.
versus ao acaso); a 5. Quais os passos?
O processo de transição, escola – mundo do trabalho ou ensino básico – ensino secundário, surge
como um evento esperado e desejado pela maioria dos alunos. Beneficia com uma preparação, no
que se refere à identificação e desenvolvimento das competências necessárias a uma transição bem
sucedida assim como da mobilização dos mecanismos de suporte a usar. A clarificação dos
objectivos e a revisão das alternativas consideradas surge como uma tarefa de grande relevância
neste empreendimento. Para tal, torna-se importante situar, no tempo futuro as metas de curto,
médio e longo prazo e identificar as exigências pessoais associadas à concretização de cada uma
delas.
Em síntese, o esquema conceptual (ver Figura 3) apresenta as cinco dimensões que organizam o
módulo. Cada uma delas incide sobre facetas distintas mas que se interligam. A sua concretização
não é linear nem sequencial, pelo que todos os docentes podem planificar as suas actividades
procurando contribuir para a promoção das competências sinalizadas neste módulo. Sugerimos o
uso do esquema conceptual do módulo aquando da organização do plano curricular de turma. As
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Módulo 4:
Construção do Projecto de Vida dimensões seleccionadas podem servir como um mapa que organiza e dá sentido às actividades dos
diferentes agentes envolvidos no processo formativo.
Figura 3
– Esquema conceptual do módulo 4
Conteúdos 1. O que influencia a minha carreira?
1.1. O sistema de formação – caracterização dos diferentes percursos
1.2. O sistema de emprego – organização e funcionamento
1.3. As actividades profissionais associadas ao curso
1.4. Meios de procura de emprego
1.5. Sistemas de suporte – informais (família e amigos) e formais (escola, centros de emprego,
sindicatos)
1.6. Os interesses, os valores e as aptidões como dimensões psicológicas fortemente estruturantes
da carreira
2. O que aprendi?
2.1. Factores que me facilitam ou dificultam a aprendizagem
2.2. O curso e o meu futuro pessoal e profissional – a instrumentalidade do período de formação
para a concretização das etapas futuras
2.3. Os referenciais de emprego e de formação do curso
3. Quem sou?
3.1. O auto-conhecimento quer nos aspectos relativos à formação escolar e profissional, quer nos
associados a outros papéis (filho, colega, desportista, voluntário, etc.)
3.2. O auto-conhecimento e os diferentes contextos de vida (escolar, familiar, associativa, etc.)
3.3. O balanço das competências: processo apoiado de descoberta das características individuais
por referência ao perfil profissional do curso
2. O que aprendi?
3. Quem sou?
4. O que quero
ser / fazer?
5. Quais os passos a
dar?
1. O que influencia
a minha carreira?
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Módulo 4:
Construção do Projecto de Vida 4. O que quero ser / fazer?
4.1. Estratégias para a exploração, avaliação/selecção e implementação das alternativas de
formação ou emprego
4.2. Relacionar as alternativas de formação com os interesses vocacionais, valores e aptidões
4.3. Relacionar as actividades profissionais com os interesses vocacionais, valores e aptidões
5. Quais os passos a dar?
5.1. O processo de tomada de decisão
5.2. Os elementos que o integram – decisões e decisores
5.3. O processo de transição e as competências facilitadoras do mesmo
5.4. Implementar e reformular em função da avaliação permanente quer dos obstáculos, quer das
oportunidades
5.5. A importância dos planos alternativos
5.6. Transição activa
5.7. Expressão de um projecto de vida / carreira
vs. transição passiva 5
Orientações metodológicas •
Mobilizar os alunos na identificação das tarefas associadas à conclusão do curso e à transição
para o mundo do trabalho ou prosseguimento dos estudos; •
nos processos de recrutamento e selecção, para que os alunos possam enriquecer o seu
repertório de competências;
Simular situações role-playing) que possam ocorrer em contexto real de trabalho, assim como •
Organizar debates em torno das temáticas do (des)emprego, da formação e da qualificação; •
Sensibilizar os alunos para o recurso frequente a diferentes tipos de fontes de informação; •
espaço europeu (serviços de psicologia e orientação, centros de emprego, unidades de inserção
na vida activa, associações profissionais e sindicatos, institutos da juventude);
Promover a exploração dos recursos e meios disponíveis quer no território local, quer no •
organizando encontros estruturados com profissionais da área de formação dos alunos ou
actividades de observação;
Possibilitar o alargamento e reestruturação das grelhas de leitura da realidade profissional •
contextos de realização (escola e trabalho);
Preencher documentos tidos como essenciais na relação do aluno com os seus futuros •
que os alunos estruturam projectos para uma etapa importante das suas carreiras;
Envolver a família na expressão de valores e atitudes tidas como essenciais no momento em •
Concretizando e, a título de exemplo, podem ser actividades no âmbito de cada uma das
dimensões que se apresentam:
Convidar os alunos à produção, apresentação e discussão de narrativas / biografias do futuro. 1. O que influencia a minha carreira?
•
Explorar material informativo sobre cursos, escolas e profissões •
Organizar exposições sobre a oferta formativa do concelho •
Realizar saídas de estudo a escolas secundárias, profissionais e centros de formação •
Participar em Feiras de Orientação Escolar e Profissional •
trabalho
Organizar Seminários em torno da problemática - a formação dos jovens e o mercado de •
Realizar entrevistas a profissionais da área de formação do curso •
Entrevistar empresários de sectores de actividade relacionados com o curso •
Discutir o perfil do curso Programa de Psicologia Cursos de Educação e Formação
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Módulo 4:
Construção do Projecto de Vida •
Organizar simulações de trabalho •
Organizar simulações de processos de selecção e recrutamento •
e Centros de Emprego
Realizar reuniões com estruturas formais de apoio ao emprego e formação – SPO, UNIVA •
nos meios de informação
Debater questões associadas ao emprego e à formação a propósito de notícias veiculadas •
aspirações, rendimento escolar, etc.
Realizar jogos de apresentação e outros em torno da temática dos interesses, projectos, •
Seguir um profissional passo a passo (Job Shadowing) 2. O que aprendi?
•
produzido para o efeito
Identificar as competências finais de curso – consulta de material informativo •
curso (trabalho conjunto de professores e alunos)
Identificar os contributos das diferentes disciplinas para o referencial de formação do •
agentes, que não a escola, tiveram no desenvolvimento de competências essenciais
ao exercício profissional ou à continuação dos estudos no ensino secundário (explorar
o papel dos pais, amigos, actividades extra-escolares, etc.)
Recorrer a grelhas síntese para que o aluno consiga ponderar o contributo que outros •
biografias e portefólios
Produzir documentos de apresentação: Curriculum Vitae, cartas de apresentação, •
trabalho desenvolvido pelos alunos ao longo do curso
Organizar eventos (exposições, feiras, etc.) em que são apresentadas evidências do 3. Quem sou?
•
Convidar à auto-descrição com recurso a uma lista de adjectivos •
Promover hetero-descrições com recurso a uma lista de adjectivos •
Explorar as contradições entre ambas as descrições •
escola)
Identificar interesses, valores e competências nas tarefas do dia a dia (dentro e fora da •
públicas – trabalhar os valores associados a cada escolha
Escolher e explicar porquê a importância que para si têm determinadas figuras •
Realizar estudos de Caso - para debater o conceito de sucesso e insucesso •
de outros técnicos, nomeadamente, psicólogo dos SPO)
Realizar programas para o desenvolvimento de competências de estudo (colaboração 4. O que quero ser / fazer?
•
Proporcionar uma exploração estruturada das alternativas pós-curso •
possa partilhar a valorização que faz de cada uma das alternativas
Realizar debates entre alunos, moderados pelos professores, para que cada jovem •
mais realista das diferentes alternativas
Contactar com estudantes de outros níveis de ensino para proporcionar uma visão •
vida ao longo do tempo futuro (do mais próximo ao distante)
Produzir narrativas em que se imaginam diferentes papéis, em diferentes contextos de •
transição para um novo ciclo de estudos
Reunir com os pais e encarregados de educação para debater o seu papel no apoio à 5. Quais os passos a dar?
•
Solicitar aos alunos que listem acontecimentos que poderão ocorrer no seu futuro •
Realizar biografias do futuro: para hierarquização de objectivos, selecção de Programa de Psicologia Cursos de Educação e Formação
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Módulo 4:
Construção do Projecto de Vida estratégias e mobilização de recursos
•
diferentes horizontes temporais
Desenhar linhas temporais e convidar cada um dos alunos a povoar a sua linha em •
subsequente apresentação e discussão no grupo turmaProduzir planos de carreira em formato “Microsoft Powerpoint”, ou outro, para O esquema conceptual (ver figura 3) apresenta cinco dimensões em torno das quais se podem organizar
as actividades:
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